Experiência literária na Escola Pe. Palhano
Escola Padre Palhano
Execução do projeto: Thyago Teixeira (arte-educador e professor de apoio)
Coordenação pedagógica: Rose Mary Brito
O presente projeto trata de oficinas de poesia e de conto realizadas às sexta-feira na Escola Padre Palhano, como forma de invenção pedagógica que admita a heterogeneidade da turmas particulares. O aluno interpreta textos de acordo com sua visão de mundo, manifestando as formas de registro que mais lhe convém, como: escrever, desenhar ou simbolizar os conteúdos presentes nos textos trabalhados.
Diante de tantos desafios que há na esfera da educação, o trabalho do professor assume proporções cada vez mais lúdicas na tentativa de otimizar o aprendizado, tornando-o significativo e transforma dor frente a um novo século que se configura.
"O relógio literário" marca a hora do conto e a hora da poesia nas salas de aula, onde ocorrem oficinas dinâmicas, alterando a rotina escolar, bem como a estrutura do espaço. É hora de mudar! Tirar as carteiras, sapatos e guardar os livros pesados. Deixar a imaginação entrar e sentar em roda no chão. Ver, ouvir, falar e produzir, utilizando-se de diferentes linguagens comunicativas. Desta forma, oportunizamos aos alunos do ensino fundamental uma maior experiência na recepção de poemas e contos, para uma desenvoltura de uma consciência ética e estética. E como procedimento metodológico para tamanho resultado, adotamos um ambiente caracterizado pela descontração, uma "brincadeira séria", reforçada pela proposta triangular de ensino de arte de Ana Mae Barbosa, cuja caracterização se dá pelos seguintes tópicos: apreciar, contextualizar e produzir. Convém ressaltar que, não nos limitamos ao código escrito durante a aplicação da referida metodologia. Assim como há uma relação estreita entre a poesia (gênero lírico) e a música, bem como o conto (gênero narrativo) e as artes plásticas, também são utilizados recursos sonoros e imagéticos durante a recepção dos textos a fim de reforçar o conteúdo dos mesmos ou até resignifica-los. Pois "embora linguagem seja a matéria prima da arte literária, não se pode limitá-la a esse aspecto, negando-lhe sua função primeira que é a criação, o estranhamente e o desenvolvimento do mundo" (Dias Nicolau).
Resultados satisfatórios
Durante e após as oficinas é possível percebermos o entusiasmo manifestado nas salas. Uma vontade de "quero mais". Um prazer instaurado de forma gratificante e as produções do dia-a-dia que se mostram reveladoras de uma energia vital de criação. Poemas e estórias que ficam na ponta da língua repetidas vezes declamados, num puro exercício de articulação e memorização... Algumas crianças que, mesmo não sabendo ainda ler, demonstrando capacidades critico- criativas através de outras expressões como o desenho e a mímica.
Os resultados, como acima visto, se configuram num processo evolutivo, respeitando os diferentes níveis de abstração e subjetividade dos alunos.
Um texto torna-se presente nas nossas mentes pelas imagens que criamos a partir dele. Sobretudo textos de caráter artístico. Quem lê os Três porquinhos consegue, com certeza no ato da leitura, visualizar aquelas casinhas que o lobo mau destrói. Da mesma forma acontece com "Uma flor quebrada" (Cecília Meireles) como quando ocorre o desenlace do triângulo amoroso entre a raiz, a flor e o vento. A imagem vem à tona tão simples e natural: um vento que extrai a flor do chão.
A utilização de imagens como geradoras de textos; de textos gerando imagens, facilita a compreensão leitora, não só de enunciados, como também do mundo no qual o leitor está inserido. Não adianta o professor ir contra aos instrumentos do mundo atual que geram imagens, como por exemplo, a televisão. Ele deve incorpora-los produtivamentre, como recursos ópticos - sonoros, de forma orientada, para fins educativos.


