A Criação Coletiva
O espetáculo Irremediável, enriquecido pelo olhar do público, é somente a superfície iluminada de um lago tranqüilo. Para chegarmos à estética da encenação – figurinos, cenário, iluminação, sonoplastia, maquiagem – enfrentamos um longo percurso de dúvidas, certezas, ajustes, acertos e aproximações.
Talvez o nosso espetáculo seja mais uma “poética de ensaios” do que propriamente obra de arte e “ponto final”. Contudo, nossa encenação é aberta a várias significações e sensações, ela só se completa com o olhar dos receptores e cada receptor, por ser um universo particular, terá uma percepção diferente. O Irremediável não se completa, não cria uma forma definitiva, o palco propõe, mas quem lê e sente é a platéia !!!
O processo de criação foi constantemente elaborado a partir de uma “imagem vaporosa”, de inspiração que gerava desejo, da intuição cuidadosamente observada e sentida, entre idéias e questionamentos, íamos encontrando o caminho, o nosso percurso não foi linear, tínhamos mais incertezas do que pontos centrais.
Quando começamos os ensaios o texto não existia, não havia situações, conflito e seres ficcionais ... apenas uma imagem vaga do que queríamos ... várias hipótese foram levantadas e diferentes possibilidades vislumbradas em milésimos de segundo, para logo em seguida serem descartadas ... Ensaio-a-ensaio a imagem fugidia ganhava consistência, os seres ficcionais ganhavam vida e expressão ...
O Irremediável é um “cemitério de idéias” que ficaram registradas apenas em diários de ensaios, acreditamos que o espetáculo é somente a superfície iluminada de um lago tranqüilo. Profundo e misterioso ...


