A Inspiração
Irremediável tem três pontos iniciais, no começo três linhas paralelas, que no percurso se cruzam e na continuidade se separam ...
“A Vida de Galileu” de Bertolt Brecht é uma dessas linhas, em alguns momentos usamos fragmentos deste texto. A certeza que a terra não é o centro do universo e que as estrelas não estão presas a uma esfera de cristal abala as convicções da humanidade...
“Vigiar e Punir” de Michel Foucault é outra linha: somos diuturnamente vigiados, conduzidos e elaborados pelo sistema que obriga, sufoca e desnatura a humanidade ...
“O Mito de Sísifo” de Camus é a última referência. A humanidade carrega absurdamente uma pedra para o cume de uma montanha, quando lá chegamos, “a pedra sempre rola”... e tudo começa novamente... “Realidade Irremediável da Vida”...
Quando a razão humana deixa de ser razão e homem perde-se de si, dos seus sonhos, da sua vida. Quando a certeza da existência dos bilhões de sóis e bilhões de galáxias é comprovada. Quando o humano deixa de ser humano... esta é a realidade irremediável da vida!
O Texto
Não apresenta conflito central, peripécia, nó e desenlace. Não segue as unidades de tempo, ação e espaço. Não cria a vida de personagens fixos, compostos a partir de caráter e pensamento. Não existe começo, nem meio, muito menos fim ... ao contrário de Aristóteles, o princípio [do Irremediável] já é repleto de passado e não se liga necessariamente às partes futuras, já o fim não acaba nunca.


